Risco Brasil, dólar e as eleições de 2026: o que esperar do mercado

25 de novembro de 2025

À medida que o Brasil se aproxima das eleições de 2026, o mercado financeiro começa a recalibrar suas expectativas. Entre os fatores mais monitorados por investidores locais e estrangeiros, dois se destacam: o comportamento do dólar e o Risco Brasil, indicador que mede a percepção internacional sobre a capacidade do país de honrar suas obrigações.

O peso da política na precificação do dólar

Em anos eleitorais, especialmente no Brasil, o dólar costuma reagir a três elementos principais:
1. Incerteza sobre o futuro da política fiscal – O mercado busca previsibilidade sobre controle de gastos, âncoras fiscais e trajetória da dívida.
2. Expectativa de reformas e continuidade de políticas econômicas – Sinais de que o próximo governo manterá responsabilidade fiscal costumam fortalecer o real.
3. Polarização – Disputas acirradas aumentam a volatilidade cambial, pois reduzem a capacidade de antecipação do cenário.

Historicamente, o real tende a desvalorizar nos meses que antecedem o pleito, recuperando parte do terreno após a definição do vencedor — quando o mercado consegue recalibrar projeções com mais clareza.
O Risco Brasil, medido principalmente pelo CDS de 5 anos, reflete:
• Credibilidade fiscal
• Cenário político
• Fluxo de capitais estrangeiros
• Percepção sobre o ambiente regulatório e institucional

Em anos eleitorais, esse indicador pode subir devido à incerteza sobre:
• possíveis mudanças no arcabouço fiscal;
• nível de independência do Banco Central;
• políticas para câmbio, juros e gasto público.

Um CDS mais alto geralmente significa dólar mais caro e maior custo de financiamento para empresas brasileiras que captam no exterior.

2026 será diferente? Os drivers que o mercado está monitorando

Com a antecipação do debate eleitoral e a proximidade de um ciclo de cortes de juros globais, os fatores que devem guiar o comportamento do dólar e do risco Brasil incluem:
• Trajetória da dívida pública – O mercado quer ver compromisso com metas realistas e disciplina fiscal.
• Reforma tributária 2ª fase e simplificação para empresas – Medidas que podem melhorar o ambiente de negócios e atrair fluxo estrangeiro.
• Relação do governo com o Banco Central — A manutenção da autonomia tende a reduzir a volatilidade cambial.
• Cenário externo — Juros nos EUA, guerra comercial, preço de commodities e fluxo para emergentes serão determinantes.

PMEs e empresas exportadoras/importadoras: por que se preparar agora

A volatilidade eleitoral costuma trazer:
• Oscilações bruscas no dólar intraday
• Dificuldade de precificação em contratos internacionais
• Aumento do custo de hedge
• Reprecificação de linhas de crédito externo (como ACC, ACE e Finimp)

Para empresas de comércio exterior, antecipar estratégias pode reduzir riscos significativos.

Estratégias de proteção para 2026

Mesmo sem saber quem vencerá a eleição, as empresas já podem adotar:
• Hedge cambial escalonado – travar câmbio em janelas diferentes reduz o risco de pegar o pior momento.
• Hedges naturais – receitas em dólar equilibrando passivos na mesma moeda.
• Uso de Finimp e ACC para aproveitar janelas de custo menor.
• Plataformas de monitoramento cambial para acompanhar gatilhos de volatilidade (como a que você está desenvolvendo!).

Conclusão

Com um cenário eleitoral incerto e sensível a mudanças políticas, a volatilidade do dólar em 2026 é praticamente garantida. O Risco Brasil deve seguir oscilando conforme o mercado percebe maior ou menor compromisso fiscal dos candidatos.

Empresas, especialmente as que operam no comércio exterior, precisam começar desde já a estruturar estratégias de proteção, evitando decisões reativas e caras em um ano tradicionalmente turbulento

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